Novo capítulo da série “Souls", mostrando que morrer em jogos pode ser muito divertido.

Reviews

Dark Souls II - Review (Versões testadas: PS3 e PC)

Com certeza você já deve ter ouvido falar sobre ou presenciado aqueles jogos antigos onde havia a necessidade de se sacrificar muito para atingir algum objetivo dentro do mesmo, chegando ao ponto de você ameaçar atirar o controle na parede de tanta pressão. Mas aí você finalmente conseguia alcançar aquele tão almejado objetivo e se sentia totalmente satisfeito. Esta é a sensação de conseguir superar os desafios da série “Souls”. Aqui você não possui muitas dicas do que se deve fazer ou do local que precisa ir. Os inimigos o atacarão sem dó nem piedade e o farão um “nada” no menor deslize que você der.

Em Dark Souls II há muito de seu antecessor, mas com várias novidades. Agora, por exemplo, é possível viajar de um ponto do jogo ao outro usando em uma variedade muito maior que antes com o sistema de viagem rápida. O que não deixa as coisas mais fáceis, só por isso. Trata-se de uma muito bem-vinda adição na mecânica do jogo para agilizar a navegação pelo seu vasto mundo, que é bem maior do que o do título anterior.

Você começa o jogo usando meros trapos e nem ao menos possui uma arma. Sem explicação clara, precisa seguir seu instinto de gamer e ir adiante, onde ao passar por uma misteriosa cabana repleta de velhas esquisitonas, começará a criação do seu personagem e também a escolha de sua classe, cada qual com suas características e equipamentos únicos. Em seguida, você poderá passar por uma série de desafios para aprender as mecânicas da jogabilidade. E sim, você poderá morrer muito, desde já. Mas a ideia aqui é aprender com os seus erros para não os repetir novamente.

Ao chegar em Majula, a área segura do jogo (equivalente ao Nexus de “Demon’s Souls”), você se depara com a personagem Arauto Esmeralda, que irá ser a sua “guia” pelo jogo, lhe ajudando a passar de nível e a melhorar seu frasco de estus, item que você usa para recuperar sua energia vital. Talvez ela tenha sido criada devido à imensa popularidade da personagem Maiden in Black de “Demon’s Souls”, detentora de algumas frases icônicas que todos os fãs da franquia conhecem de cór e salteado.

Dark Souls II

Dark Souls II

Em consideração ao jogo anterior, a estamina continua sendo fundamental para efetuar ações. Atacar, rolar, defender, usar magias, correr, enfim. A diferença aqui é que foi adicionado um novo atributo chamado “adaptabilidade”, que influencia em tudo relacionado à sua habilidade de sobreviver no jogo. Isso, inicialmente, parecia ser algo interessante, mas acabou fazendo com que fosse necessário se investir muitos pontos nisso, pois o “hitbox” do jogo, termo este usado para mostrar a precisão de animação dos golpes dos monstros no jogador e vice-versa, não é tão boa quanto a do jogo anterior, até que você consiga ter vários pontos neste atributo em específico. Apesar disto, não há outras grandes reclamações em relação à jogabilidade. Na verdade, creio que seja o único ponto contra dela, pois o jogo continua viciante como nunca e após mergulhar no mesmo, é uma tarefa difícil de se sair. Aqui deve-se distribuir seus atributos com cuidado, sempre levando em conta o que você gosta mais de fazer.

Há diversos personagens com os quais você pode interagir. Vários deles lhe serão úteis para adquirir itens muitíssimos necessários para que você prossiga na aventura. Alguns deles irão requerer que certas tarefas sejam feitas para que você obtenha acesso a algum item especial ou a locais secretos. E, como de costume na série, você pode atacar a todos eles caso queira, desde que saiba viver com todas as consequências dos seus atos. Caso você mate um destes personagens, ainda poderá falar com eles no local de sua morte, desde que você pague um valor em almas, que no caso pode ser bem alto. Isto é uma novidade interessante, pois não existia tal possibilidade nos jogos anteriores. Demora bastante também até que eles fiquem hostis e te ataquem, requerendo que sejam desferidos vários golpes.

Outra adição também é que agora você pode reparar seus anéis que até então se quebravam em algumas ocasiões. Existe um anel que impede que você perca suas almas caso esteja com o mesmo equipado ao morrer. Este, no jogo anterior, ao se quebrar era perdido para sempre. Em Dark Souls II, você consegue reparar ele no ferreiro para poder usar novamente. Isto, adicionado ao fato de que agora você pode usar até 4 anéis, aumentando ainda mais suas habilidades, sendo algo muito necessário na aventura.

Tudo no jogo é explorado sem muito diálogo e não existem direções corretas de onde você deve ir. Você precisa escolher um caminho e seguir para ver no que vai dar. Se estiver muito complicado, dê meia volta e tente outra coisa. O mais interessante é que, eventualmente, você irá conseguir se encontrar e seguir adiante com a história, lembrando que quem está mergulhando na série pela primeira vez, não precisará se preocupar em ficar confuso em relação ao enredo, pois não há a necessidade de se saber os acontecimentos da série para entender Dark Souls II.

Dark Souls II: Crown of the Sunken King

Dark Souls II: Crown of the Sunken King

As áreas são incrivelmente distintas e bem feitas. Novos inimigos o aguardam a cada passo que você der em locais recém-descobertos. Às vezes, não dá tempo pra relaxar, pois a qualquer momento pode aparecer um ataque de onde você menos espera. A variedade de desafios é bastante satisfatória, levando ao ponto de que você irá zerar o jogo e ainda existirão alguns locais que você não visitou e poderá encontrar em uma nova tentativa, usando seus itens ou almas adquiridas, além do fato de que mais inimigos irão aparecer em locais onde antes não existiam e alguns deles serão substituídos por versões mais poderosas dos mesmos.

Por falar nos inimigos, uma característica muito peculiar do jogo é que os monstros param de renascer após serem mortos um certo número de vezes. Levando a crer que isto foi inserido no jogo para evitar que você fique sempre em um mesmo local pegando almas ou itens, obrigando o jogador a descobrir novos locais. Contudo, existe um item que, quando queimado em uma das fundamentais fogueiras de checkpoint, fará renascer todos os monstros da área, incluindo chefes, porém, mais poderosos ainda. É como se você estivesse em um “New Game +” (modo mais difícil do jogo) apenas naquele local.

Os chefes sempre foram muito marcantes na franquia, alguns deles memoráveis. Dark Souls II tem uma quantidade enorme de chefes e é uma pena que isso infelizmente não represente qualidade. Muitos deles são bem criativos e legais de se enfrentar, mas não tem, pelo menos para mim, um chefe marcante como alguns que estão tanto em “Dark Souls” quanto “Demon’s Souls”. O mesmo vale para a trilha sonora na hora de enfrentá-los.

O modo online continua sendo um atrativo. Você poderá enfrentar diversos outros jogadores tanto como invasor em seus mundos quanto como aquele que está sendo invadido por você. E há uma necessidade de se tomar cuidado com isso, pois diferentemente do antecessor, aqui você pode ser invadido a QUALQUER momento. Existem também arenas onde você pode enfrentar outros jogadores de modo limpo. E, como não poderia faltar, também pode unir forças com outros jogadores para enfrentar os chefes mais poderosos.

Dark Souls II

Dark Souls II

As “covenants” voltaram com tudo e estão ainda melhores do que antes. Ao melhorar sua relação com elas, irá ganhar itens que poderão te aprimorar. Algumas destas recompensas você só consegue obter através das covenants, inclusive. Elas também continuam se dividindo em PvE, PvP e Co-op.

Graficamente o jogo melhorou bastante em relação ao antecessor. Caso você jogue a versão para PC, poderá aproveitar gráficos mais cristalinos com o uso de filtros, resolução 1080p e uma taxa de quadros por segundo mais estável. Só que você deve repensar se vai querer jogar a 60 quadros por segundo, ou não. Existe um bug na versão para computador onde as animações dos monstros ficam muito mais rápidas do que deveriam ser, além da durabilidade dos itens diminuir consideravelmente mais rápido, também. Infelizmente, até o lançamento desta review, ainda não havia um conserto para o problema, que você só soluciona travando os quadros por segundo em 30 através de modificações à parte do jogo. Isto é um empecilho para terminar o jogo? Não. Eu o terminei no Playstation 3, onde este problema não ocorre e também no PC, onde só vim a perceber tal problema após zerar.

Resumo para os “preguiçosos”

Após várias horas de jogo, é realmente difícil não gostar de Dark Souls II. Ele tem pequeninos problemas, mas ainda consegue ser um dos mais interessantes (se não o mais) jogos lançados em 2014. Três expansões foram programadas para sair de Julho até Setembro, aumentando ainda mais a durabilidade do jogo. Se você procura por algo diferente, um desafio com uma jogabilidade recompensadora, excelente design técnico de níveis e muitas horas de diversão, jogue. Você irá morrer muito, mas poderá amar isso. Dark Souls II (fora seus antecessores) trás alguns sentimentos como o de superação após cansativas tentativas e exploração de um mundo desconhecido que não encontrávamos facilmente nesta última geração, e isso é extremamente bem vindo.

Esta análise foi escrita originalmente por Giuseppe Carrino ao Rings, blog anterior à Epic Play Brasil.

DLCs e outras versões: Além da edição normal, Dark Souls ainda contém as DLCs Crown of the Ivory King, Crown of the Iron Old King, Crown of the Sunken King e A Newcomer in Drangleic, além da versão “HD” para PS3, Xbox One e PC chamada Schoolar of the First Sin com todas as DLCs inclusas.

Prós

  • Mais locais para viagem rápida
  • Modo online divertido
  • Alta dificuldade
  • Falta de guias desafiando o instinto do jogador

Contras

  • Chefes não tão marcantes
  • "Hitbox" menos preciso
7.5

#Bom

Epic Play - fundador, organizador de eventos relacionados a games, criador e editor de conteúdo, programador, designer e "desbravador" em publicidade.

3 Respostas

  1. Jogo bom, com alguns pequenos contrapontos… Mas MUITO bom mesmo assim. Apesar do 1 ser BEM melhor que o 2, pois ele é mágico de um jeito único, o 2° melhorou em vários termos em relação ao anterior, trazendo novos ares para a série.

  2. Melhor jogo de 2014 até agora com toda certeza

  3. Dark Souls II onde os fracos não têm vez. Bela matéria. gastei muitoooo tempo também jogando , e confesso que os Bosses que tive mais dificuldade foram o Looking Glass Kight, e olha que todo mundo fala que ele é fácil haha, e a Lost Sinner no NG+. Vale cada segundo de jogatina! Posso resumir minha jornada nesta frase: ” Agora eu volto lá e mato aquele safado .” Kkk

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