Gone Home é inovador. Mas, deve-se pensar se valerá a pena como um jogo, propriamente dito.

Reviews

Gone Home - Review (Versão analisada: PC)

Gone Home quer ser o que os outros jogos de hoje em dia não tentam tanto assim. A história se passa em 1995 e você é uma garota norte americana de classe média com aproximadamente “20 e poucos” anos que volta de uma longa viagem para a sua casa. Este é um jogo com o clima bem parado, tendo a exploração como um ponto forte e as descobertas com a junção dos fatos, feitas por você mesmo ao encontrar pistas pela casa, como uma recompensa. É uma experiência nova para muitos, em videogames, e não há como negar que podemos somar um ponto positivo para a inovação na indústria de jogos, com este primeiro lançamento feito pela The Fullbright Company, mas, algo me incomoda.

Digamos que, talvez Gone Home tenha um maior sentido para quem more nos Estados Unidos ou Canadá, por exemplo, e tenha vivido e lembre-se desta época, mesmo que seja na infância. Esse é o público alvo que acredito que a The Fullbright Company tentou “acertar” em sua produção e conseguiu muito bem. O que eu não acho errado, pois amo a cultura norte americana como um todo. Mas, ao dizer isso, fica mais simples de se entender o por que de pessoas que moram em países que viveram um 1995 um pouco diferente, reclamem mais facilmente de Gone Home, diferente dos que tiveram a forte nostalgia ao jogar o mesmo. Gone Home é um jogo de sentimentos, que você deve estar apto a sentir, primeiro de tudo.

Ao chegar em sua casa, a protagonista percebe que provavelmente se encontra sozinha nela e qualquer detalhe desvendado aqui além disso pode estragar a sua diversão, pois é assim que Gone Home funciona. A casa reflete muito bem à época em que o jogo se encontra. Ao irmos de um lado para o outro da casa, encontraremos móveis característicos, fitas em VHS, produtos da época, livros, aparelhos de som, o punk rock dos anos 90 e outros demais.

Gone Home

Gone Home

A sua missão no jogo é simplesmente descobrir aonde foram os seus parentes, e o por que de eles não estarem lá para te receber. Qualquer pequeno detalhe é importante e você é o único responsável por entender ou não o que está acontecendo. Com controles simples, que lembram os jogos de point click, você segue até o final desvendando pequenos puzzles e sendo respeitado pelo próprio jogo, pois ele não interfere na sua inteligencia ou interpretação. Com os elementos de movimento, a possibilidade de arrastar itens, ativá-los ou coletar, Gone Home trás uma história de fundo muito interessante, mas deixa tudo no ar.

Ok, e o que mais? É isso. Estamos lidando aqui mais com uma história interativa do que com um jogo. Quando você descobre partes importantes para a história, geralmente elas são narradas, por exemplo, e você deve buscar mais disso até começar a descobrir o que se passa. Não há muito para se esperar a partir disto, contando-se em média 3 horas de jogo ao explorar bem a casa, e esquecendo extras e conquistas comuns que aumentam a longevidade de um título.

Gone Home não é ruim, e passa longe desse patamar, mas é complicado dizer que a experiência é um bom GAME. A história te faz parar para pensar, em certos momentos, mas os puzzles são fracos, a experiência como um todo não atinge o necessário pelo custo/benefício. O fácil é dizer que você terá uma ótima história interativa e exploração com Gone Home, do que elogiar outros pontos. Alguns websites que analisaram o jogo, apesar da nota alta em sua maioria, ficaram se perguntando se realmente deveriam chamar Gone Home de um game, propriamente dito. Apesar de não haverem reais desafios, a não ser o de juntar fatos, acredito que seja sim correto dizer que é um jogo, não só por estes motivos. Mas, ele não me agradou tanto como um jogo, e sim como uma história interativa.

Gone Home

Gone Home

Resumo para os “preguiçosos”

Ao jogar Gone Home, você deve esperar de algo que lhe traga sentimentos diversos e talvez te emocione, ao descobrir aos poucos o que se passa e sobre os familiares da protagonista, mas não podemos ir muito além disto. É uma boa experiência, algo novo na indústria dos games, que na verdade já era como os velhos adventures, mas é diferente. Se realmente está interessado em saber o que é Gone Home, após ler tudo isso, então provavelmente este será um bom jogo para você (pessoa curiosa). Porém, dezenas de premiações em diversos eventos e websites internacionais não são uma aprovação absoluta de que você irá gostar de um jogo, e este é um ótimo exemplo disto. Usando elementos de jogabilidade simplórios, a casa da família Greenbriar nos faz se sentir em uma casa tão real quanto a nossa ou a de nossos amigos e parentes: Com pedaços de nossa vida, de nosso dia a dia, deixados lá. Parte de nossos segredos que podem estar tanto escritos como em objetos comuns a primeira vista sem relevância. A casa dos Greenbriar está lá assim como qualquer outra casa, e neste caso, cabe a você explorá-la.

Prós

  • História que te prende até o final
  • Vivenciar os 1995 dos EUA
  • Inovador

Contras

  • Experiência curta
  • Falta de dificuldade
7.5
#Bom
– Fundador Epic Play, organizador de eventos relacionados a games, criador e editor de conteúdo, programador, designer e "desbravador" em publicidade.

Deixe sua Opinião

Esqueci a Senha