A busca por Kitej em 2015 é muito melhor do que foi procurar Yamatai em 2013.

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Rise of the Tomb Raider - Review (Versão testada: Xbox One)

For me it’s not climbing but moving them. It’s knowing that no mountain is too high enough for my Father. It’s seeking for a more personal experience with my creator, a deeper understanding of my capacity and reaching my limits.
– Kat Romero

Rise of the Tomb Raider é o mais novo capítulo da nova Lara Croft, que nos deu uma excelente surpresa em 2013, com o reboot de homônimo de Tomb Raider. Para a nova aventura, temos um jogo exclusivo para o Xbox One em 2015, que será lançado somente ano que vem para as outras plataformas.

Com um lançamento em uma época que iria coincidir com o novo Uncharted, em uma exclusividade temporária para o console da Microsoft, estava certo de que os títulos iriam concorrer as atenções do mesmo público, porém a Sony decidiu por adiar o jogo de Nathan Drake e seus amigos. E então, será que Rise of the Tomb Raider seria um concorrente à altura para Uncharted 4: A Thief’s End? É o que você a seguir, na nossa análise.

Uma aventura congelante

Rise of the Tomb Raider é um jogo focado na busca de Lara Croft por uma cidade antiga perdida, encrustada na Sibéria, região russa, chamada Kitej. Já ouvi falar de várias cidades perdidas, e muitas já foram abordadas por outros jogos, mas de Kitej foi a primeira vez que ouvi falar.

No jogo, Lara segue os passos de um Profeta Imortal, que teria liderado seu povo para a construção da cidade, criada para proteger a Fonte Divina, que dá poderes de imortal para quem quer que entre em contato com a mesma.

A cidade invisível de Kitezh, pintura de 1913 por Konstantin Gorbatov.

A arqueóloga Lara Croft busca encontrar, tanto a cidade quanto a Fonte Divina, para limpar o nome do pai, que morreu desacreditado por buscar a cidade e o artefato, o que causou grande impacto na vida de sua filha. No caminho, Lara acaba cruzando o caminho de um exército paramilitar chamado Trindade, que busca a mesma coisa, mas para seus próprios interesses de dominação. O exército emula um pouco o mito popular dos Illuminatis, de dominação global, nova ordem mundial e etc.

Lotado de referências históricas sobre a região siberiana e Kitej, o jogo, ao passo de girar bastante em torno da progressão de formação de um caráter forte e poderoso de Lara Croft, não se esquece do universo criado ao redor, cheio de segredos. A arqueóloga passará por muitos ambientes, ora lotados de neve, ora mais vivos e verdes.

O jogo tem muito pouca (ou nenhuma mesmo) comédia e foca bastante no aspecto de sobrevivência, visto que a Sibéria é uma região erma e inóspita, ainda mais com o exército da Trindade rondando a região, e com uma fauna agressiva, além de Lara ser o tipo de personagem que trabalha muito mais sozinha do que com ajuda externa.

O enredo é interessante e, apesar do clichê que é o exército da Trindade, consegue deixar o jogador com vontade de avançar cada vez mais para encontrar de vez a cidade perdida, com uma história que vai se desenvolvendo bem conforme o avanço, além das informações encontradas em pergaminhos encontrados pelo caminho.

Deshi basara

Pela temática do jogo, a comparação com a série Uncharted é inevitável, especialmente quando este também se inspirou na antiga série de Lara Croft. No entanto, em estrutura o jogo não lembra quase nada a franquia exclusiva da Sony. Acredite: Rise of the Tomb Raider se parece muito mais com Metroid, série da Nintendo.

Isso cria uma identidade própria, e Rise of the Tomb Raider acaba sendo um jogo muito mais bem definido e que sabe o que é do que foi Tomb Raider, de 2013.

Rise of the Tomb Raider

O jogo é dividido em várias áreas grandes, com caminhos alternativos e segredos, porém só acaba sendo um mundo aberto depois de terminar toda a aventura, pois é um mundo expansivo que só vai crescendo conforme o jogador avança. Isso o torna diferente dos inúmeros jogos de mundo aberto que são moda hoje em dia, e esse é o maior trunfo do jogo. As áreas são lotadas de tirolesas, árvores para subir e estruturas onde Lara usa seu machadinho de alpinista para escalar.

Focado muito mais em exploração do que em combate, essa estrutura menor e mais fechada torna essa característica muito prazerosa. Fica difícil avançar sem limpar a área, ou seja, fazer as missões secundárias, buscar tumbas e criptas, artefatos arqueológicos e pergaminhos. Tudo isso está muito perto, devido a essa orientação de mapa, e isso dá uma fluidez excelente ao jogo, então serão poucas as caminhadas enormes, comuns em jogos de mundo aberto puros.

No entanto, nem tudo está disponível na área de pronto. A característica Metroid do jogo encontra-se no fato de que, conforme a história avança, Lara encontra novos itens e melhorias, que possibilitam entrar em tumbas antes impossíveis de entrar ou alcançar algum lugar com um baú. Portanto, o backtracking, ou seja, retornar a locais já visitados, acaba sendo uma rotina, mas somente se o jogador quiser buscar os 100% de jogo, o que acabará sendo uma vontade geral, especialmente para acessar uma tumba.

Rise of the Tomb Raider

Mas retornar às áreas já conhecidas não se torna um martírio grande pois podemos retornar a acampamentos já acesos por Lara, e estes se tornam locais de viagem rápida, além de serem os pontos para dar uma parada e fazer os upgrades em armas e também nas habilidades de Lara.

As tumbas são áreas secretas com artefatos e segredos que dão alguma melhoria para Lara. Mas essa recompensa é só uma desculpa final, pois explorar estas áreas é muito prazeroso, com puzzles intuitivos (e fáceis, sendo bem sincero), que envolvem observar o ambiente e usar os recursos disponíveis, empurrar caixas, carrinhos, e um pouco de platforming, além de serem um verdadeiro colírio para os olhos chegar a estas áreas, alguns sendo verdadeiros templos soterrados e enfiados em cavernas.

O jogo também tem grande foco em crafting (criação de itens e munição), onde coletar plantas, madeira, cogumelos e caçar são aspectos importantes para o avanço seguro no jogo. A arma principal de Lara Croft é o arco e flecha, mais uma vez, silencioso e mortal, com vários tipos de flecha (venenosa, em chamas e explosiva), que dá uma bela variedade de abordagem na hora da caçada. Claro que Lara tem pistolas e armas mais pesadas, como rifles e shotguns, mas caçar com arco e flecha soa mais sensato.

A maioria dos animais, como cervos e coelhos, fogem, mas alguns dão o troco e oferecem perigo, como grandes felinos, lobos e ursos. Encontrar esses animais é muito legal, especialmente se for em momentos que soam aleatórios. Por exemplo, havia uma tumba na qual não conseguia entrar por não ter a melhoria certa para o arco. Após obtê-la, ao chegar perto da mesma, surgiu um tigre siberiano rugindo e vindo para o ataque, camuflando-se na neve e na folhagem. Isso dá uma sensação de tensão grande, mesmo as batalhas sendo fáceis, a sensação de perigo e sobrevivência que o jogo passa é extremamente satisfatória.

Além de enfrentar animais, algumas vezes estaremos em combate com seres humanos, porém o jogo é mais focado mesmo na exploração do que nisso, e mais vezes podemos encarar completamente na surdina, fazendo a Lara matar sorrateiramente um por um, do que em fogo aberto. O level design favorece a atividade furtiva, mas é empobrecido quando devemos lutar com armas abertamente. O jogo claramente não foi pensado nesse sentido, e os tiros são pouco impactantes, especialmente pela escolha terrível dos designers de aplicar automaticamente um silenciador (se comprado na loja do jogo, com dinheiro obtido no próprio – hoje precisamos fazer essa diferenciação, né, microtransações [que existem também em Rise of the Tomb Raider]) em todas as armas de Lara Croft, deixando o impacto ainda menor.

Tela de melhorias em um acampamento

Mas é bacana o sistema de crafting rápido para essas partes. Também usando do foco de exploração do jogo, as arenas onde ocorrem os tiroteios estão cheias de garrafas e outros pequenos objetos que, nas mãos de Lara, tornam-se mortais. Por exemplo, a arqueóloga não anda com explosivos, mas encher uma lata de alumínio de pedras explosivas a faz virar uma poderosa granada, ou enrolar um pano em uma garrafa e atear fogo faz um coquetel molotov. Tudo isso na hora, rapidinho, dando uma dinâmica a mais para o tiroteio, o que é extremamente bem vindo. No entanto, explorar e encontrar itens é muito mais prazeroso do que dar tiros em Rise of the Tomb Raider.

Rise of the Tomb Raider

Screenshot Simulator 2015

Mas que jogo bonito, ein? A Crystal Dynamics sabe do potencial que o tema tem, com tumbas, templos e cenários amplos e usou e abusou da fotografia. A câmera é livre, mas ela sabe quando se afastar e tomar um ângulo que favorece o visual, dando aquela sensação de maravilha.

O jogo tem tempo dinâmico, com ciclo de dia e noite, mas é durante o dia que os visuais se destacam, pois Rise of the Tomb Raider tem uma excelente iluminação, além de ter cenários bastante vivos e coloridos, que favorecem isso.

Rise of the Tomb Raider

Temos, em alguns momentos, algumas texturas ruins, mas no geral o trabalho é excelente, e a empresa merece os aplausos. A movimentação de Lara Croft é fluída, o que também auxilia na vontade de explorar cada cantinho.

Além disso, o trabalho sonoro é muito bonito, com excelentes orquestrações, que ajudam no clima das partes do jogo, e um bom trabalho de dublagem (joguei em inglês do começo ao fim, confesso que não sei falar sobre o trabalho de vocalização em português), especialmente da protagonista, que ganha ainda mais identidade, com sua voz carregada de emoções.

Video Thumbnail

A sobrevivente

A busca por Kitej em 2015 é muito melhor do que foi procurar Yamatai em 2013 (mesmo tendo sido excelente esse reboot da série). Um jogo mais focado e que soube o que realmente é, com um foco em exploração, é um jogo diferente do que se poderia esperar da sequência. Mesmo com pouca ação, é difícil desgrudar do controle enquanto jogamos Rise of the Tomb Raider. Também é excelente ver que Lara Croft cresceu muito desde o primeiro jogo, e já é muito mais destemida e séria, uma mulher forte em um mundo hostil, com um objetivo fixo, e desistir não é uma opção.

Rise of the Tomb Raider é mais um excelente jogo de 2015, que está sendo um grande ano para os jogadores. Para quem não possui um Xbox, conferir a aventura de Lara Croft em 2016 é imperativo, seja no começo do ano no PC ou no final dele no Playstation 4.

Lara Croft

Prós

  • Progressão de mundo à lá Metroid
  • Boa exploração
  • Visuais de tirar o fôlego

Contras

  • Baixo impacto dos tiroteios
9

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