Let's get shoveling!

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Shovel Knight - Review (Versão testada: 3DS)

Pense em um épico medieval. Em uma longa jornada para derrotar uma ameaça terrível. A figura de um cavaleiro surge. Sua armadura, imponente, altiva, brilhante, com um elmo que deixa seus inimigos tremendo de medo. Ele saca sua arma mortífera para derrotar as legiões infernais que estão à frente, deixando uma trilha de sangue e morte por todo lado que passa! Este, surgindo em nome dos indefesos, dos mais fracos, cheio de coragem, é ele, Shovel Knight, em sua armadura azul e sua temível pá!

Surgido de um projeto extremamente bem sucedido no Kickstarter, Shovel Knight é um jogo que, batendo todas as metas de arrecadação, ainda está em construção com conteúdo extra, e está disponível em todas as plataformas da atual geração (por pouco não saiu para rodar no seu microondas). Recentemente foi lançada uma DLC gratuita, já prevista, onde jogamos com um dos inimigos do jogo. No entanto, tratarei aqui somente da campanha principal de Shovel Knight, aquela protagonizada pelo personagem homônimo.

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An underlying problem

Shovel Knight é um jogo em 8 bits. Sim, um indie em 8 bits, pixel-art e tudo mais. Confesso que na maioria das vezes me sinto enfadado com essa onda de jogos indies em 8 bits, mas Shovel Knight é outra história.

O jogo tem todo uma premissa simples: uma história boba de derrotar uma feiticeira que trouxe para seu exército outros cavaleiros, que foramaram a “Order of No Quarter”, e também sequestrou a companheira de aventuras de Shovel Knight, a Shield Knight (sim, todo mundo tem esse nome Algumacoisa Knight). E então, o grande herói Shovel Knight deve iniciar uma jornada terrível até a Tower of Fate e derrotar a feiticeira.

A cut-scene inicial é apresentada utilizando imagens conceituais (em 8 bit) com blocos de texto. A nostalgia já começa logo aí, e o restante da história passa através de diálogos com os chefes e alguns NPCs.

Logo de cara já se percebe que Shovel Knight é realmente para ser um jogo de Nintendinho. Consigo ver tranquilamente alguém, lá nos anos 1980, alugando a fita e colocando em seu console e jogando com seu controle quadrado com apenas dois botões de ação. E isso, em 2014, no ano de lançamento, nem era novidade, com uma chuva de jogos independentes tentando simular uma nostalgia pelos gráficos pixelados em 8 bit, mas ao mesmo tempo tentando trazer narrativas existencialistas, filosofia e tentando fazer o jogador se emocionar. Não é o caso de Shovel Knight e acredito que, justamente por isso, ele consegue sucesso onde vários outros indies 8 bit não conseguem.

Shovel Knight

Strike the Earth!

Shovel Knight tem mecânicas simples. Basicamente andar, pulo e pazada (que é o ato de acertar uma pá em algo), com a variante de poder dar uma pazada para baixo. Além disso, Shovel Knight adquire itens durante a jornada, que possibilitam dar ataques diferentes, como lançar uma bola de fogo nos inimigos, como um projétil.

Então, com mecânicas tão simples, o que faz de Shovel Knight um bom jogo? E isso é facilmente respondido: o seu level design. Cada fase nesse jogo é única, e todas contam com um desafio ascendente, sempre chamando o jogador de volta para passar de uma parte difícil, nunca frustrando-o com dificuldades artificiais. Apesar de ser composto por poucas fases, todas têm um tamanho considerável, com vários check points.

Ao longo das fases, Shovel Knight mostra que sua pá é mais importante que uma espada, isso porque os espólios, como joias e moedas, ficam enterrados em pilhas pelo chão, e uma espada não é nem um pouco prática para isso. Outra excelente vantagem da pá é usada no platforming: ao pular e apertar para baixo, Shovel Knight aponta sua pá para baixo e pode pular na cabeça de inimigos e em outras plataformas especiais, alçando-o para uma plataforma mais alta, ou simplesmente criando momentuum para passar por abismos.

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Shovel Knight

O que o level design de Shovel Knight faz é criar aquela fluidez perfeita, que não te faz querer parar de jogar. Cada inimigo está precisamente posicionado, não é apenas um desafio bobo, ele faz parte de algo muito maior.

A coleta de recursos no jogo é muito importante, e o jogo coloca na sua cara essa importância: quanto mais você morrer, mais dinheiro perde. Semelhantemente a Dark Souls, ao morrer, uma parte de sua riqueza é perdida e é deixada em sacos flutuantes no exato ponto onde você morreu (em Dark Souls, não é uma parte das suas almas, são todas as suas almas, mas a influência é perceptível). Morra sem pegá-los, ou seja, antes de chegar a esse ponto, e perca ainda mais riqueza. O importante de ser rico no jogo é comprar itens, aumentar sua mana e também comprar refeições que aumenta em um ponto a saúde do cavaleiro da pá. Apesar disso, é plenamente possível finalizar Shovel Knight sem obter sequer um item e sem obter sequer um upgrade de magia ou de saúde. No entanto, por óbvio, sua empreitada será muito mais difícil, especialmente quando chegar nos chefes (em toda fase tem um, que saudades de jogos assim!).

Como o jogo possui uma boa dose de coleta desses recursos, muita coisa está escondida. Viu um muro estranho? Dê uma boa pazada nele e veja aparecer uma passagem secreta, com tesouros (ou uma bomba esperando para estourar no seu pé). Isso ajuda ainda mais a criar uma sensação de satisfação ao jogador, porque ele está descobrindo tudo, observando o cenário (em algumas coisas NPCs podem dar uma dica, pois há uma vila no mapa do jogo, onde NPCs conversam com o jogador e podem dar preciosas dicas de algumas fases, similarmente ao que ocorre em Castlevania II: Simon’s Quest – aliás, destruir a parede para encontrar algo escondido também é algo bem Castlevania, não?).

La Danse Macabre

O jogo é dividido em fases, cada uma com um tema diferente, espalhadas em um mapa bastante semelhante aos que vimos em Super Mario Bros. 3 (vez ou outra, inclusive, aparecerão eventos pelo mapa, como enfrentar um inimigo diferente). Antes de entrar em cada fase, na legenda, aparece quem vive ali, e estes são os cavaleiros da Order of No Quarter. Portanto, similarmente a Mega Man, devemos derrotar todos os chefes em suas bases, e esse é outro ponto muito positivo para Shovel Knight.

Lembro-me de jogar Mega Man X (infelizmente não fui uma criança de Nintendinho, pois nasci em 1990 e, quando ganhei meu primeiro videogame, este já era um Super Nintendo) e sempre querer enfrentar um chefe diferente, ir na fase dele, e Shovel Knight causou a mesma coisa em mim. Eu queria ver o novo cavaleiro que eu ia enfrentar, eu queria ver os seus ataques, os seus movimentos, queria lutar contra ele.

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Shovel Knight

Como em Mega Man e, mais recentemente, Bloodborne, lutar contra um chefe não era somente um desafio, mas também uma recompensa por chegar ao final da fase e, ao derrotá-lo, abrir aquele sorriso, e sentir aquela sensação de poder. Isso é videogame, é dar poder ao jogador, apenas fazendo-o apertar botões, respondendo ao conteúdo audiovisual apresentado.

The Vital Vitriol

Até agora, todos os subtítulos desta análise foram retirados de títulos de músicas da trilha sonora do jogo. Acho que, sabendo disso, já dá para perceber que ela é sensacional, não? Composta por Jake Kaufman, feita literalmente para poder rodar em um Nintendinho, ou seja, é algo de pouco poder tecnológico, a trilha sonora é inigualável nesse sentido. Shovel Knight é inteiramente embalado por músicas eletrizantes, épicas e que caem como uma luva para um jogo frenético e desafiador como ele. Não posso resumir em palavras o que somente é sentido, então fiquem com uma música de Shovel Knight, uma que ficou na minha cabeça por muito tempo:

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E, como já falado no início, o jogo é todo em 8 bit, mas possui várias modernidades, e tudo é harmoniozo e bonito. Bonito, não, Shovel Knight é lindo! As animações de cada inimigo, em especial dos chefes, os cenários com profundidade, cada canto do jogo parece ter sido desenhado à mão, nada é em vão. É incrível ser surpreendido nos tempos de hoje com um jogo em 8 bits e nada me faria mais feliz do que ver, nem que fosse uma screenshot, de um provável Super Shovel Knight, em 16 bits. Em uma época onde vários jogos que tendem ao fotorrealismo mais decepcionam do que impresionam, com todo mundo apontando coisas como “texturas em baixa resolução”, “serrilhados em excesso” e afins, uma pixel art feita com carinho me fez sorrir como uma criança.

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Spooky Scary Skeleton

Resumo para os “preguiçosos”

Shovel Knight é um jogo magnífico. Eu não poderia recomendá-lo mais. E a todo mundo. Ele é um exemplo de que, um jogo simples, porém focado, pode alcançar muita coisa. Apesar de curto, seu valor de replay é enorme, e ainda temos já uma DLC lançada, para jogarmos com o Plague Knight, um dos membros da Order of No Quarter, que muda completamente a forma de encarar o design das fases, e mais duas DLCs estão a caminho, além de termos também desafios, “new game+” e outros conteúdos.

Hoje são poucos os jogos que me fazem jogar do começo ao fim no mesmo dia. Shovel Knight fez isso, e não porque é curto, mas porque é extremanete fluído e desafiador. E isso já fala muita coisa sobre o jogo.

Pegue sua pá e escave sua cópia de Shovel Knight agora mesmo!

Prós

  • Level design primoroso
  • Trilha sonora maravilhosa
  • Suporte incrível da desenvolvedora
  • Arte em 8 bits sem preguiça

Contras

  • Não ter mais umas oitocentas fases
9.5

#Sublime

Fundador do projeto Jogador Pensante e redator.

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